quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Da Índia...

O dia foi "livre" como se os outros dias tivessem sido "presos". E não foram nada presos!!! O dia foi livre para me perder numas mãos de massagem, livre para vaguear pelas ruas da cidade, livre para exercitar a disciplina do consenso, livre para fugir de repente para a praia. O dia foi livre para lentamente começar a ouvir o verbo num tempo diferente - "esta viagem FOI...". Mas a viagem ainda não acabou, está muito longe disso. Porque esta viagem É daquelas em que alma fica, por muito tempo depois de partirmos.
Ana Claudia Gonçalves

Da Índia...

Em Goa a vida deixa-se viver lenta. Fazemos as horas entre verdes e especiarias, salpicadas de igrejas brancas e ruas com nomes portugueses. Os jesuítas falam do ténue equilíbrio das cedências políticas. Casas coloniais guardam memórias recitadas por gentes intemporais. O dia acaba de pés molhados nas águas quentes do ...Mar Arábico. Amanhã há mais. Como eu entendo os que tardaram em partir...
Ana Claudia Gonçalves

Da Índia...

Foi um programa preparado por um grupo de jovens de diferentes religioes, que estudaram dança em diferentes partes da India, apresentado num palco improvisado de um colegio catolico de Varanasi com a imagem de N. Sra. ao centro, um quadro pintado por criancas com os common birds da India na parede e dois biombos com o homem aranha a separarem os bastidores. Na assistencia os viajantes da Europa Viva, as irmas e algum pessoal do colégio, o Bispo emerito e o actual bispo de Varanasi. Do programa constavam os dois épicos indianos narrados e uma representação da vida de Cristo com o esquema, os trajes e a musica da danca indiana, sendo o papel de Jesus representado por uma mulher. Esta amálgama performativa foi a metáfora que procurávamos para caracterizar este subcontinente e em particular esta cidade sagrada da religião de 80% da sua população - o Hinduísmo.
O Hinduismo em Varanasi e muitas coisas entre as quais a festa, a fruição, a continuidade e a harmonia entre o homem e tudo o que o envolve, incluindo a morte. Diante da pira que arde com o corpo não se ouve choros mas um profundo silêncio que acompanha a alma que se acredita por ser ali cremada vai directamente ao sublime, prescindindo de reencarnar.
Cidade crua, onde passamos o nascer e o pôr do sol na barca (evocação que tantas vezes me soou profética...) a assistir ás cerimonias pessoais e colectivas que decorrem nas margens do rio evocativas dos Deuses. Terra, Ar, Água, Fogo, Sol, Lua, Vento - os elementos convocados para a festa que dá sentido ás suas vidas e que tantas vezes corrige o sentido das nossas. Nao são cremados, antes lançados ao rio sagrado, os corpos das criancas com menos de 15 anos, os corpos das grávidas, dos sadhus, de quem foi mordido por serpentes ou dos doentes de lepra. Uns porque se acredita que podem ainda voltar à vida, outros porque podem assim alimentar outros seres vivos e, outros, ainda, porque assim não são contaminadores.
Nesta cidade frenética como uma feira popular hã uma importante universidade hindu onde fomos ouvir a conferencia sobre o Hinduísmo. Sao 5 km2 de faculdades num campus universitario onde nada falta e que já deu alguns premios nobel para a India.

Ângelo Silveira




quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Da Índia...

Chegada a Goa, a pele amolece numa ternura tropical. Ainda que a noite esconda o matiz da terra, o estar sente-se diferente. Mais uma Índia, diferente de todas as outras, dorme agora um sono de rede. Amanhã vou sentir o espanto dos portugueses de outrora.
Ana Claudia Gonçalves

Da Índia...

Ontem (22 de Fevereiro de 2010) o Ganges recebeu-me para assistir ao nascer e pôr do sol. A labiríntica cidade velha tece em cada esquina um assombro. As velas que ardem no rio levam votos às flores. Ao fim da tarde celebra-se em agradecimento o dia que passou. Todos os dias, os mesmos rituais de fé. Hoje rumo ao Sul.
Ana Claudia Gonçalves

Ópera, um Itinerário Europeu - Viagem a Itália - 2010

http://www.europaviva.eu/news/201002_Opera/

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Seminário Permanente Saber Europa 2010 - 2011

O tema do Seminário Permanente Saber Europa de 2010 - 2011 é dedicado aos Mitos da Cultura.
Começamos a 14 de Outubro com o tema:
Perséfone e o Eterno Retorno coordenado por Luís Mendonça de Carvalho*
Neste módulo estudaremos algumas das mais emblemáticas interacções desenvolvidas entre os Gregos e as Plantas, nativas ou exóticas, ao longo de 3.000 anos - desde os alvores do Período Micénico ao ocaso de Bizâncio e focaremos a nossa atenção em aspectos múltiplos dessa interacção, como a cosmogonia, a arquitectura, o comércio ou as ciências maturais.
*Biólogo, Mestre em Fiosiologia e Bioquímica de Plantas (Univ. Lisboa), Doutor em Biologia (Univ. Coimbra)
Director do Museu Botânico de Beja
Professor no Instituto Politécnico de Beja
Investigador no Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (Universidade de Évora)
Visiting Scholar (Harvard University - Graduate School of Arts and Science)

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Da Índia...

De Amritsar para Varanasi. Das peregrinações dos siques para os rituais de morte hindus. O ar respira-se denso, talvez pela energia da morte. Os corpos que dançaram a história, também de Cristo, num corpo de mulher. Uma sala de aula como palco. O simbólico da Índia no seu melhor!
Ana Claudia Gonçalves

Calendario Seminário Saber Europa...Março

3 de Março - 19:00 - Espaço Europa Viva - Europa Cultural - Guilherme Oliveira Martins

11 de Março - 19:00 - Espaço Europa Viva - Virginia Woolf – o romance como corrente da consciência

Da Índia...

A viagem que prometia ser longa e cansativa, acabou por ser bem passada e Amritsar é daquelas cidades que não tendo nada tem, no entanto, a força da sua posição geográfica na nossa mente. Com efeito, o Paquistão, está ali ao lado e isso mesmo lembravam os sucessivas campos militares que vimos pelo caminho. A paisagem, de resto, não difere muito das imagens que diariamente nos chegam do Afeganistão e do Paquistão pelas televisões de todo o mundo. Uma coisa era evidente e destinguia Amritsar das restantes cidades que visitámos. Em Amritsar os homens usam turbante porque não cortam o cabelo e este é apenas um dos cinco símbolos da sua religião. Os outros são a pulseira, o pente de madeira, a espada (pequenina ou gravada no pente) e umas calças interiores. Estamos no Punjab, a terra dos Sikhs e a terra mais martirizada durante a partilha da India. Ali morreram mais de 6 milhões de pessoas e ali mudaram de casa mais de 10 milhões num dos maiores martiricídios da história contemporânea. Tantas evocações que contrastam com o langar do Templo Dourado - essa cozinha aberta a todos onde os tachos são maiores que os caldeirões do Asterix. Ali se servem diariamente milhares de refeições e todos são convidados a ajudar e a comer do mesmo, sem distinção ou reverencia. Palavra feita acção com simplicidade e profetismo. Lugar fotogenico para os olhos de dentro e de fora. O templo brilha no meio do lago e à noite podemos assistir à procissão do livro sagrado. Um publico de velhos e novos , de homens e mulheres que em gestos simples mas profundos reconhecem e agradecem Deus.
Na fronteira, o clima não era de recolhimento e mais parecia estarmos em Bolywood. Com aparato e com musica desfilaram as guardas dos dois paises, desta vez e, por coincidência, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros da India.
O que leva estas duas nações a acicatarem na fronteira com moles imensas de povo o seu primário nacionalismo, fazendo dele curiosidade ou mesmo atracção turistica?
Ângelo Silveira

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Da Índia...

Desci a montanha rumo às planícies de Amritsar, para encontrar o Templo Dourado num mistura com a comunidade Sikhs...
Ana Claudia Gonçalves

Amritsar...

Os nossos viajantes chegaram a Amritsar...Depois de uma longa viagem pela Índia das Religiões...

Da Índia...

Foi num “embraer” com duas hélices e capacidade para pouco mais que 30 pessoas que chegámos a Gaggar- um pequeno aeroporto com os himalayas ao fundo, um ar respirável, uma temperatura de 22C e uma luz de fim de tarde que só podia ser auspiciosa.
Dali a Dharamshala eram poucos quilómetros, fizemo-lo de carro, mais uma vez com uma boa buzina, uns bons travões e muito boa sorte.
Em 100m de asfalto irregular podemos subir mais de 10m de altitude.
Conhecer o Budismo era o desafio, formulado de formas diversas na cabeça de cada um dos viajantes. A conferência proferida pelo Dr. Chok (ex-monge) e por um monge (em exercício) acendeu algumas luzes mas também trouxe muitas, outras, dúvidas, como aliás acontece sempre…
Tudo converge para esse sofrimento que todo o Homem enfrenta e que Buda quis conhecer e aliviar, recusando-se a definir o método como religião ou filosofia. Uma coisa é certa…Corpo, discurso, mente; causas e condições que provocam o fenómeno; amarras que só com muito conhecimento se soltam. Por isso também e por breves momentos nos exemplificaram o debate, com palmas e movimentos de corpo, que os monges estudantes normalmente praticam, dois a dois, nos pátios dos mosteiros como o de Namgyal, onde reside o Dalai Lama.
À entrada, uma foto registava o encontro ocorrido há poucas horas com Obama. A importância deste encontro é evidente depois de visitarmos o Museu que narra, eloquentemente, com recurso a fotos e textos densos, a luta com mais de 50 anos do povo do Tibete. Confiança e esperança são as mensagens latentes e intemporais daquele povo peregrino, acolhido pela índia.
A visita ao centro onde os refugiados trabalham (Instituto de Norbulingka) e a uma cerimónia de oração (Mosteiro de Tsechokling) foram complementares para a nossa percepção do que está em causa, mas foi particularmente tocante a visita ao orfanato de Nyingtob Ling. Ali estão recolhidos deficientes de famílias pobres do Tibete. Um lugar discreto onde a beleza e o trabalho de quem lá vive é enaltecida pela natureza que o envolve.
Atravessámos a montanha e chegámos agora a Amritsar, a cidade do templo dourado, a cidade dos Sikhs, dos massacres da partilha da India – outra etapa de que falarei mais tarde...
Ângelo Silveira

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Mitos da Cultura: Criação, Conhecimento e Amor

É o próximo tema do Seminário Permanente Saber Europa que tem inicio em Outubro próximo.
Teremos José Pedro Serra, Luís Carvalho, Carlos João Correia, Armindo Vaz, José Eduardo Franco, Anabela Ritta, Jorge Rodrigues, (...), como conferencistas.
Inscreva-se...

Influências do Judaísmo na cultura ocidental

Tem inicio no próximo dia 22 de Abril o módulo Influências do Judaísmo na cultura ocidental, um curso da responsabilidade de Esther Mucznik, promovido e organizado pela Europa Viva no âmbito do Seminário Saber Europa.

Calendário das conferências:
22 e 29 de Abril, 5 e 13 de Maio
às 19:00 - Espaço Europa Viva – Edifício C 7 – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa – Cidade Universitária

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Da Índia...


O ritmo da urbanidade das almas foi substituído por uma paz de natureza. Deixei o Islamismo da cidade e rumei às montanhas do norte, onde se abriga o Budismo Tibetano. "Acreditamos que a invasão é o karma colectivo do povo do Tibete" respondeu o Monge Tibetano na conferência do fim da tarde. Prodigiosa oportunidade.


Ana Claudia Gonçalves

Da Índia...


As mesquitas de Delhi, a maior da Índia, uma madrassa, um pano que cobre a cabeça, sorrisos iguais em crianças iguais, ternuras partilhadas, um ohar que não pode beber mais, inspiração num ideal de mundo uno, ritmo, cheiros de vida, cores de fé, gente, muita gente, eu aqui também. Tão cheia!!!

Ana Claudia Gonçalves
Fotos Ana Paula Lemos

Da Índia...

Foi com espanto que os viajantes Europa Viva, depois de 6.000km de viagem e 36 horas sem dormir ou a dormitar viram surgir por tras da porta norte do complexo, o Taj Mahal. É sempre mais do que esperamos, o cansaco ficou aliviado perante o deleite dos olhos. A historia do imperador Moghul que o manda construir como mausoleu para a sua amada, morta ao dar a luz o 14 filho e que quando pretende construir o simetrico, em marmore preto, do outro lado do rio, e aprisionado pelo filho numa fortaleza com vista para o tumulo da mae - Mumtaz Mahal que simplificou o povo para Taj Mahal.
O dia estava perfeito, a luz ideal e a celebrá-lo, milhares de casais indianos que como que vinham pedir o consentimento dos protagonistas de uma das mais belas historias de amor que os homens conhecem. A india é um pouco desta lenda a pedir para ser verdade. E a historia e o potencial da grandeza do homem.
Já em Delhi realizou-se a primeira conferência dedicada ao islamismo pelo presidente da Comunidade islamica da cidade que nos deu a honra da sua companhia para jantar.
Com saber, com inteligencia e com sabedoria expôs-nos os seus pontos de vista sobre o Islão no mundo e na India; falou das origens, dos principios e dos preceitos, das regras e das interpretações, por vezes, embaraçosas. Houve espaço para conversar, ou antes, trocar impressões, fazer perguntas que, apesar de não terem sido claramente respondidas, ou por isso mesmo, permitiram compreender pontos de vista e situar geograficamente as realidades dos Islão.
A Europa Viva deixou lhe um livro que dada a sua formacao de geografo e historiador nos pareceu adequado: Portugal, the first global village.
Hoje foi dia de conhcer alguns monumentos islâmicos da capital da India e de visitar uma madrasa situada em Old Delhi - um bairro imundo onde fervilham actividades de todos os tipos do talho ás sedas. Como sempre muitos rostos, muitos sorrisos. Uma escola onde ainda se levantam os alunos à chegada de estranhos, lembrando, como dizia uma viajante, que não é preciso muito para aprender. Acrescento eu, antes pelo contrario...
A casa onde morreu o mahatma Gandhi foi outra surpresa, com uma exposição multimedia que o tempo não permitiu que fosse vista com a calma desejada, mas que deixou em muitos o desejo de melhor conhecer a obra deste profeta do nosso tempo que fez da verdade e da nao violência seu epitafio.
Amanha deixamos Delhi rumo a Dharamshala.
Ângelo Silveira

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Da Índia...




Os nossos viajantes chegaram à Índia.
Como escreveu a Rosa nas primeiras noticias que enviou...não, não é uma viagem, são várias viagens...sentimo-nos despenteados...parece que estamos noutro Planeta...
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