sexta-feira, agosto 24, 2007

Outros olhares





Na Mong'olia... gare terra...

Antes de mais, desculpem a falta dos acentos...mas de facto nada a fazer com este alfabeto, ainda mais complicado que o russo, embora mais audivel, mais terno e infinitamente mais doce.
Para quem chega da Russia, a Mong'olia e um verdadeiro paraiso de simpatia, hospitalidade, conviviabilidade, (...).
Os ocidentais obrigaram o povo mongol a descobrir o turismo como uma umas suas principais actividades econ'omicas, nao apenas porque durante 1 seculo estiveram tao escondidos como os russos, e por isso, existe uma imensa curiosidade de visitar os herdeiros de Gengis Kan - o pai fundador da identidade mongol e o obreiro do maior imperio do mundo; mas por outro lado, a Mong'olia 'e seguramente um dos pouquissimos paises do mundo quase virgem em materia de turismo, embora seja tao belo que se torna indizivel.
O comboio largou-nos na gare de Ulaan Battor eram 6:15 (hora local). 'A medida que o comboio se aproximava e o dia despontava, descobriamos um pais envolto numa bruma intensa de nevoeiro, por onde emergiam as imensas estepes mong'ois que alternavam com linhas sucessivas de montanhas, cavalos selvagens, e claro as c'elebres tendas mong'ois, as chamadas yourts...Yourts
Est'avamos por isso 'avidos de descobrir Ulaan Battor e zarpar para o c'elebre parque natural de Telej, a 80 km desta cidade imensa onde a pobreza 'e uma realidade mas a paisagem deixa esmagados.
Antes visitamos um Mosteiro e a escola budista da cidade,partilhamos com os monges a primeira parte do rito liturgico, fizemos a visita panoramica 'a cidade e zaparmos para o parque onde almocamos, andamos a cavalo, visitamos o interior de uma Yourts, habitada por uma familia local, onde ali'as nos ofereceram uma bela sobremesa, e depois de termos dado um passeio a p'e regress'amos a cidade onde assistimos a um espectaculo e folclore e jantamos num restaurante frequentado tambem por ocidentais.
Que dia!!!
Estamos todos bem, felizes e com sa'ude.

...mais fotos...





As fotos...





Da Salsa à arte gourmet…

Lembram-se da cabine 3? A arte gourmet da Ana Cláudia vai produzindo as suas «peças».
Tenho muita pena que não vos possa mostrar – não temos tido acesso fácil à Internet...mas asseguro que têm havido muitas e boas degustações…
Ontem à noite também se dançou salsa na carruagem 11 do comboio 362. A Beatriz e o Pedro começaram as suas primeiras aulas de Salsa. O Pedro é o professor e a Beatriz a sua principal aluna – a pista é um corredor que não tem mais de meio metro de largura.
Bastaram os primeiros compassos para surgirem outros mestres e outros discípulos.

A paisagem mudou

Aqui na Mongólia as estepes alternam com uma paisagem envolta por montanhas de pouca altura mas de contornos bem desenhados.
Há cabras que se prendem como ventosas aos rochedos íngremes das montanhas, há cavalos, muitos cavalos espalhados pelas estepes…
É de noite. Infelizmente esta espera interminável a que nos sujeitam neste cerrado controlo não nos permite apreciar com pormenor a paisagem que nos acompanha até Ulaan Batoor.

Chegámos (finalmente) à Mongólia

Para um europeu, cidadão do espaço Schengen, passar a fronteira entre a Rússia e a Mongólia é um desafio à paciência, um hino ao projecto europeu, mas também pode ser um regresso a um tempo que as novas gerações só conhecem através do pensamento produzido pela literatura histórica ou pela análise do pensamento político recente.
Trata-se de facto de uma bela vivência do que são sociedades fechadas, militarizadas, onde a ocupação territorial é o símbolo por excelência do poder político. Não nos esqueçamos que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a ex URSS tinha o seu limite territorial a Este justamente aqui na Mongólia.
Ora, se é verdade que compreendemos a preocupação naquele tempo em afirmar a força pela excêntrica militarização do espaço fronteiriço, hoje, isto parece-nos excessivo, sobretudo agora que as «democracias» prevalecem nos dois países, segundo os seus quadros constitucionais.
Para que possam entender melhor o que vos escrevo, saibam que chegámos à fronteira da Rússia com a Mongólia eram 12:40 locais e saímos já passava das 17:00. Acreditem que fomos primorosamente controlados do lado russo. Nada deixado ao acaso. Tudo visto, revisto, buracos vigiados, (…)
Porquê então mais 4 horas de espera na Mongólia se o comboio nunca parou?

Muito importante!!!

Quando não nos lerem não fiquem apreensivos. A ausência de post só acontece porque a rede no comboio às vezes é muito difícil de ser captada.
Entramos na crosta do mundo…vamos testar a tecnologia…

As (nossas) insónias…

Creio que os nossos sonhos começam a confundir-se com os nossos sonos, projectando o estado de vigília para o plano das infinitas possibilidades do cérebro humano.
Estamos muito para além daqui…O ali é tão longe que nem sabemos dizer…muito perto de atravessar a Mongólia de norte a sul e chegar à China.
Dormimos ao contrário do nosso mundo emocional. Vocês estão aí…e os nossos relógios também!!!
Aos nossos filhos, especialmente à Mariana, ao Jaime e Guilherme, ao Ivo e João Pedro Martins, Anabela e Sarah Pontes, Cármen Oliveira, aos nossos netos, à Beatriz do Schrek, aos nossos pais, irmãos, a toda a nossa família, a todos os nossos amigos, às namoradas e namorados dos nossos viajantes, enviamos um abraço forte, e uma certeza: estamos muitos felizes por estar aqui, convosco! Sem vós nada disto faria sentido.

O jantar da cabine 3

A cabine 3 é ocupada pela Ana Cláudia, Aida e pela Sandra. Não estou segura, porque não tenho acompanhado os talentos criativos de todos os viajantes do transmongoliano, mas ouso afirmar que até ao momento nenhuma foi tão longe na criatividade e na capacidade de enfrentar as limitações inerentes a um espaço em perpétuo movimento onde tudo falta com excepção justamente de uma «geografia de alma»
Neste momento, são 23:10 no comboio, 15:10 em Lisboa, a cabine 3 prepara-se para o seu jantar.
A garrafa de champanhe com que vão acompanhar o caviar que comprámos num fantástico «mercado» em Irkutsk, está lá fora, presa ao comboio, aproveitando o vento cortante da Sibéria – hoje esteve um dia muito frio, chuvoso, embora o sol tivesse despertando quando era suposto estar a dormir…
Mas não contentes com este pequeno requinte, acompanham a mesa impecavelmente posta, pepinos de calda fresca, tomates cereja, pão Baviera, e ainda flutes de champanhe plásticos, verdadeiros hinos ao requinte e á poesia da «literatura de viagens».

De novo no comboio…

Algumas viagens, mesmo as interiores, têm percursos mais sinuosos que outras. Os viajantes do transmongoliano viveram hoje (dia 22 de Agosto de 2007) o seu primeiro momento crítico quando o grupo subiu as escadas do comboio 362, carruagens 10 e 11 rumo a Ulaan Battor e se confrontou com a «pobreza» formal das carruagens.
O comboio russo que nos trouxe de Moscovo até Irkutsk era de facto bem mais moderno, de qualidade (muito) superior, não só ao nível dos materiais, mas também no asseio e aspecto das carruagens.
Mas este primeiro confronto com a «viagem» real durou apenas escassos minutos. Foi num ápice que o grupo deitou mãos aos «dodotes», e em segundos, liquidou odores e ácaros subtilmente impressos nos nossos aposentos.
Tive medo que tivéssemos esgotado o stock dos dodotes. Meus Deus se a Servilimpe nos conhecesse… Mas parece que não, e ainda bem, porque desta vez não há banhos, senão, daqui a dois dias na capital da Mongólia.
Mas não pensem que o grupo cedeu às tentações da burguesia contra revolucionária e asséptica. Não, o grupo não desanimou, bem pelo contrário: leiam o post do jantar da cabine 3…

terça-feira, agosto 21, 2007

Ja no Baikal

Cheg'amos a Irkutsk as 4 da manha de Moscovo, 1 hora da manha em Lisboa. Claro que esta noite ninguem dormiu na nossa carruagem, ou melhor, a maioria de nos nao tera dormido. Os diferentes fusos horarios comecam a causar-nos insonias...
O facto de termos chegado a "terra" deixou-nos a todos mais inquietos. De repente, o banho passou a ser uma prioridade, as casas de banho confortaveis uma necessidade e um bom pequeno almoco uma exigencia. E de facto tudo isto aconteceu. As 11 horas locais, 3 horas da manha em Lisboa estavamos de novo rumo a mais um momento importantissimo da nossa viagem: uma visita ao lago Baikal
O Baikal e o maior lago de agua doce do mundo, reserva uma quinta parte da agua doce de todo o mundo e 80% da agua doce na Russia. E de facto um lago fantastico. Fizemos um cruzeiro de duas horas olhando uma cordilheira de 3 linhas de montanhase nvoltas numa neblina muito tenue apesar de intensa.
Antes visitamos o museu regional do Baikal, e o grosso dos viajantes passeou ainda num magnifico teleferico.
Excelente dia o nosso...
Hoje ate as casas de banho minimas deste hotel pareciam salas de estar esplenderosas. Nada como viver para comparar e escolher.
Amanha darei mais noticias. Estamos muito afadigados vamos dormir.
Entretento deixo a agenda do dia de amanha, 22 de Agosto de 2007:
Visita a cidade de Irkutsk, almoco na cidade, visita ao mercado e partida as 20:00 (locais) para a Mong'olia - Olan Bator.
Queremos que saibam que estamos todos muito felizes. Esta viagem e de facto fantastica.
Voltamos ao comboio para mais dois dias e duas noites.
Um abraco a todos: especialmente aos nossos pais, irmaos, familia e amigos.
E claro um abraco especial aos membros fundadores da Europa Viva e associados.
Hoje faz anos a Secretaria Geral, a Helena Martins: para ela aqui vai um abraco muito especial - Parabens e muitos anos de vida!!!

Tempo psicológico do Baikal

Hoje saímos do comboio 3 vezes. Sair do comboio significa que o nosso comboio, o Baikal, pára entre 15 a 20 minutos nas estações principais do percurso. E o que fazemos lá fora? Bem, uns andam a pé, outros correm, outros como a maioria de nós compram produtos da gastronomia local: os tais tomates, pepinos, groselhas, maçãs, bananas, (…) e claro, tiramos fotografias, muitas fotografias para quando chegarmos partilharmos convosco este nosso tempo em que os nossos corações estão cheios daqueles que amamos mas que não puderam vir connosco.
Nas plataformas, quando a hora do embarque começa a aproximar-se, as senhoras responsáveis pelas nossas carruagens lembram-nos que temos de regressar ás nossas «dachas».
A vida nas nossas «dachas» corre com a normalidade que a adaptação da nossa inteligência opera nestes contextos. Há os que acordam a meio da noite para descobrir na paisagem mais um segredo que a alma num olhar fugaz deixou perder, há outros que aproveitam para conversar com os amigos que trouxeram, há outros que descobrem amigos que conquistaram e ainda há outros que dormem ao «sabor» da embalagem dos carris.
A esta hora, por exemplo, apesar da luz central se ter apagado muitos de nós conversam nos corredores convivendo com aqueles que não pertencem ás suas «dachas».
A maioria de nós está surpreendida com a capacidade de se ter adaptado com tanta facilidade a esta vida cheia de rotinas mas também muito criativa.
Já vi copos a servir de belas saladeiras, pratos de plástico transformados em perfeitas fruteiras, já vi chávenas a servirem belas sopas, e já comi produtos que jamais imaginaria, como uns bolos do Ikea russo, de que nem consigo falar-vos…
Também há «dachas» onde se joga King. Essa «dacha» é conhecida pelo «Casino». Ontem no Casino jogou-se «sueca» quase o dia inteiro…não sei a que horas se deitaram os noctívagos, nem sei mesmo se hoje alguns de nós dormirão alguma coisa…o que sei é que já começamos a ter saudades de deixar o comboio…

segunda-feira, agosto 20, 2007

Quilómetro 5 185

Vivemos há quatro dias num comboio chamado Baikal, linha férrea entre Moscovo e Irkutsk onde percorremos um total de 5 185.
Daqui a 8 horas chegaremos a Irkutsk, a cidade mais importante da Sibéria oriental. Aqui ficaremos 2 dias. Amanhã, quando em Lisboa forem 01:00 do dia 21 de Agosto chegaremos à capital politica da Sibéria. Para nós serão 8:00 de 21 de Agosto. Quando nos quiserem lembrar têm que rodar os ponteiros do relógio para ¬¬¬mais 8 horas.
Tem sido difícil imaginar a Sibéria como o lugar do horror. O que temos visto é muito belo, tão belo que nos vamos perguntando, «estamos mesmo na Sibéria?»
Neste momento são 17:34 no comboio 22:34 lá fora, 14:34 em Lisboa.
O que se pode estar a fazer num comboio a esta hora? Bem, neste momento, acabaram de nos desligar as luzes centrais; com isto querem dizer-nos, ide para as vossas cabines, tranquilizai-vos, porque amanhã, quando no comboio forem 4:00 o sol brilha lá fora e vós tendes de desembarcar, isto é, tendes de regressar a um tempo real e já não psicológico, a Irkutsk.

domingo, agosto 19, 2007

A Sibéria...

As bétulas siberianas estão doentes mas deram-nos neste troço entre Moscovo e Iekaterinbourg uma das imagens mais belas da paisagem siberiana. Num espaço imenso intercalam o verde dos pinheiros e o branco dos troncos das bétulas, sem folhas e muito secas.
Lá fora está calor…estão mais de 30º.
Entrámos oficialmente na Sibéria à 1:49 do dia 19 de Agosto. Para não haver dúvidas a hora que vigora aqui dentro do comboio é sempre a hora de Moscovo, mais 3 horas que em Portugal, mas lá fora o fuso horário que rege o movimento do comboio adiantam os pontos do relógio para 5 horas mais.
Na carruagem 3 do comboio transiberiano 10, os viajantes da Europa Viva almoçam nas cabines respectivas mas já muito longe de serem os seus legítimos locatários.
O nosso agente russo preparou uma ração para cada um de nós, mas o ritual de sairmos nas paragens e comprar produtos gastronómicos locais, é irresistível. Por isso, as ementas variam entre os tomates fresquíssimos que comprámos ontem, os pepinos frescos ou em calda, as maçãs dulcíssimas, o pão de batata que as velhas senhoras cobertas de lenços brancos convidam-nos a consumir.
Já percorremos 3035 km. À medida que o tempo passa vamo-nos esquecendo do tempo real. Iniciámos a caminha pelos vários tempos psicológicos: os das leitura, da musica, das cartas, das conversas, do exercício físico.
Às 9:00 de hoje as senhoras não prescindiram do seu exercício físico justamente neste corredor onde vos escrevo e durante 20 minutos treinaram os movimentos de manutenção. Os alemães foram os únicos que respeitaram os exercícios, por isso, não podendo passar pelo corredor da carruagem 3 viram-nos costas e civilizadamente foram comentando a ousadia das mulheres portuguesas.
Claro que as russas ficam perplexas com a nossa energia. Mas nós não cedemos aos modos eslavos do staff do comboio.
O designer de interiores de cada cabine traduz com todo o rigor a mundividência de cada um dos viajantes…e há de tudo: cabines minimalistas, cabines excêntricas, cabines ecológicas, cabines tipo casino, jogos, vodka, cerveja…
Lá fora o tempo continua quente…a Sibéria ao som de Wagner é sublime.

sábado, agosto 18, 2007

Comboio...

Já fizemos 4 paragens. Há dez minutos saimos pela primeira vez do comboio. Antes assisitimos ao nascer do Sol...das cabines, sobre cidades ainda estalinistas, ainda imbuidas de espirito soviético mas a quererem futuro.
Verde muito verde, dachas, carros dos anos 30, mulheres envoltas em lenços brancos, mais gordas, claro que em Moscovo, aqui, neste local, algures já a 3000 mil quilómetros de Moscovo com a Sibéria ao fundo, já tão perto, mais ainda faltam 3 noites para lá cehegarmos mas já estamos absolutamente adapatos à realidade ferróviária, coabitando com as populações do maior pais do mundo...
Quero que saibam que estamos ótpimos e muito felizes, empreendemos um projecto fantástico, ninguém chegará igual...
Se poder, amanhã, voltarei!!! Senão, saibam que o comboio caminha lentamente, ao som dlo carril que nos acorda vezees sem conta, e leva-nos ao centro da Russia profunda.

Ja estamos no comboio...

Viajamos à 13 horas. De Moscovo nada vos pude dizer porque a Russia precisa urgentemente de um choque tecnológico...
Em Moscovo estava um calor infernal. Nunca imaginei ver os moscovitas na rua sem camisa, de calções em plena Praça Vermelha e nos jardins que a circundam, bebiam cerveja, muita cerveja. Nós tinhamos calor mas estavámos tão contentes por nunca ter chovido...em Moscovo é um milagre não chover em Agosto.
Por isso, queremos dizer-vos que tudo corre muito bem. Que grande grupo este. 27 pessoas fantásticas, grande maturidade nas relações, muita educação, cultura quanto baste: os ingredientes necessários para suportar as vicissitudes de um transmongoliano que já começou ontem às 23h30. Claro que não é fácil estar neste comboio onde o espaço é de contenção: dos afectos, de espaço físico, de higiéne, mas atenção metade de grupo já tomou hoje o seu duche de água fria. Foi bom...refrescámos, somos os únicos com ar limpo, a nossa carruagem cheira bem, e estamos todos muito compostos, com roupas apropriadas e mais do que adapatados a esta conjuntura existencial.
Moscovo virou uma cidade cosmopolita e sofisticada: cafés de arquitectura minimalista, as russas estão infinitamente mais sofisticadas: de cintura delgada, com roupas vogue, maquilhagem muito bem aplicada.Os homens seguem o ídolo Putin: fatos escuros, sapatos de biqueira estreira, virados na ponta, cabelo rapado, enfim...quase imperiais, falta-lhe atitude, mas isso, cremos, aprende-se...
Em Agosto a vida cultural e criativa da cidade está nas capitais europeias a mostrar a raça imperial do bailado e do teatro. Aqui, em Agosto, de cultural nada aconteçe. Apatia só ultrapassada pela museologia mais actualizada.Fomos ver as Tretiakov do século XX´- excepcionais!!!

terça-feira, agosto 14, 2007

Até dia 16 em Moscovo - se a tecnologia permitir...




Já estamos a caminho...

Transmongoliano - Nota da Direcção

Caros associados da Europa Viva:

Estamos de partida... Conosco, somos 27 pessoas (2 membros da Direcção da Europa Viva e um membro fundador da Associação) parte a missão estatutária da Europa Viva: promover, difundir, e reflectir a cultura europeia, os valores da cidadania e da solidariedade.
Pensar a Europa é antes de mais enquadrá-la no seu contexto histórico e geopolitico. Quando pensei e projectei esta rota, o transmongoliano, e chamei à nossa opção cultural, a Rota da Memória, e escolhi os totalitarismos do século XX, como objecto central do nosso estudo, foi afinal a resposta ao desafio que o Instituto dos Itinerários Europeus, através do Conselho da Europa, pediu a todas as organizações culturais europeias: que promovessemos projectos que (re)actualizassem a memória dos totalitarismos.
A resposta da Europa Viva enquanto organização cultural foi a construção da Rota da Memória e com ela o contributo possivel para a reflexão deste tema entre nós membros fundadores e associados da Europa Viva e amigos que conosco partilham esta missão de fazer da cultura um meio que nos tornará senão pessoas melhores pelo menos pessoas mais felizes.

Correio...



-«...estou certo que será uma viagem inesquecível para os que foram e os que ficam; um campo de descobertas pessoais à luz do que contemplarem, seja terra mas sobretudo gente, segredos ou ecos, infinito ou pormenor...»
Angelo Silveira

- «ÓPTIMA VIAGEM.
Cá fico aguardando noticias e leituras diárias de escritas profundas...»

Maria de Jesus Pires da Rocha

-«Desejo-vos uma óptima viagem e umas óptimas Memórias
Um abraço»
Suzana Ferreira

- «...só duas palavras para vos desejar uma "travessia" com todo o interesse que o percurso suscita, que tudo corra bem, conforme o planeado e que mais um exito se venha a juntar aos anteriores. Já que não podemos fazer parte do grupo, iremos seguindo a par e passo as notícias que forem saindo no blog. Um abraço»
Graça e João Matos Sousa

Transmongoliano - Reportagem

Vamos ter «directos» de todos os pontos do itinerário, desde que a tecnologia nos permita.
Se quiser viajar conosco visite-nos com frequencia. Não prometemos entradas diárias, haverá seguramente dias e locais que podem não nos proporcionar contactos diários, mas acreditem que vamos tentar manter a nossa presença na blogosfera o mais actualizada possivel.
Contamos convosco nesta ROTA DA MEMÓRIA.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Curso de Video - Europa Viva

Carlos Vieira é reporter de imagem da ONU e um dos grandes jornalistas africanos. Conheceu os grandes palcos de guerra, e difundiu as suas imagens pelo mundo inteiro. O I curso de Video Europa Viva vai ser ministrado por este repórter de imagem com o seguinte programa:

CURSO (BÁSICO) DE CÂMARA VÍDEO

OBJECTIVOS:Dotar os participantes de conhecimentos sobre a câmara de vídeo, os conceitos estéticos e técnicos da imagem, do som e da iluminação.

A QUEM SE DESTINA ESTE CURSO:
Este programa está desenhado tanto para principiantes como para elementos que já possuam uma ideia muito básica acerca da operação de câmara de vídeo.

O PROGRAMA

A CÂMARA FILMAGEM:

- Breve introdução ao sinal de vídeo;
- As diferentes partes que compõem a câmara;
- Os comandos da câmara: zoom, shutter, foco, balanço do negro e dos brancos, o time code em FREE RUN e REC RUN, U-Bit, os filtros de correcção das cores incorporados na câmara, o microfone, os vuímetros e a auscultação do sinal de áudio;
- O uso correcto do tripé;
- A exposição;
- Composição e técnicas de imagem: tipos de enquadramento, os movimentos de câmara, os movimentos com a lente (através do zoom e do foco), os pontos de força, as linhas de força, o eixo, o equilíbrio e a simetria a velocidade (shutter speed) e a continuidade;
- Tipos de iluminação – introdução básica pois teremos um capítulo para a luz;
- Os filtros e a temperatura de cor;
- As objectivas: constituição básica, os diferentes tipos de lentes, o campo da lente, a íris, a profundidade de campo;
- Abordagem à filmagem com múltiplas câmaras.

OS ELEMENTOS PARA A CAPTAÇÃO DO AUDIO:
- Tipos de microfones;
- Características dos diferentes microfones;
- Os acessórios básicos;
- Planos de som.


ELEMENTOS PARA A ILUMINAÇÃO:- Kelvin – a medição da temperatura de cor;
- Tipos de projectores;
- Características da luz dos projectores;
- A iluminação básica (key, ;
- A iluminação na criação de moods diferentes na cena;
- Os filtros de correcção de cor.

ELEMENTOS PARA A EDIÇÃO (TEORIA):
- Visionamento e selecção do material adequado aos objectivos do guião do produto;
- Técnicas para a importação do material para o computador;
- A pré-montagem;
- O edit list;
- A pós-produção

A PRÉ-PRODUÇÃO - INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR PARA ELABORAÇÃO DOS TRABALHOS DOS PARTICIPANTES:
- A História/Ideia para constituir a estrutura narrativa/expressiva que manifeste a pertinência do produto – guião literário;
- A “decopage” com a elaboração das tomadas e planos, definindo ainda os movimentos de câmara e cuidando da continuidade – guião técnico;
- Os meios técnicos e recursos humanos necessários à concretização da produção;
- A complementaridade da banda sonora;
- A iluminação com toda a influência plástica que pretende-se tirar da mesma;
- O orçamento;

EQUIPAMENTO NECESSÁRIO:
Os participantes deverão trazer as suas câmaras pessoais. O tripé, o microfone e o computador para a edição são opcionais.

Quem estiver interessado em obter informações sobre este curso, por favor, envie um mail para
europaviva@europaviva.eu

sexta-feira, agosto 10, 2007

Europa e Religiões - Curso



A Europa Viva congratula-se com o acolhimento que o Curso Europa e Religiões tem tido junto da sociedade civil. Trata-se de uma iniciativa só possivel pela adesão dos lideres das comunidades religiosas e seus representantes que souberam desde o primeiro minuto responder sim à nossa iniciativa.
Como sabem o secretariado da Europa Viva vai estar em trabalho fora de Portugal até 3 de Setembro. Sim, estamos a acompanhar os associados no Transmongoliano. Por isso, pedimos a todos os interessados neste curso que enviem um mail para europaviva@europaviva.eu caso queiram inscrever-se ou pedir algum esclarecimento sobre este curso.

capas que fizeram o Transmongoliano

quinta-feira, agosto 09, 2007

Fim...

Um ano depois aqui estamos prontos para embarcar no comboio que nos levará a uma travessia pela Russia, Mongólia e China, no mítico transmongoliano, cantado inumeras vezes pela literatura, sobretudo, nos últimos 70 anos.
Foi um ano de muito trabalho, total dedicação, empenhamento absoluto, que resultou neste projecto Rotas da Memória, uma revisitação à memória dos totalitarismos, onde iremos encontrar realidades distantes deste tempo e outras ainda muito próximas dos ideias que nos chegaram destas paragens nos últimos 50 anos.
A certeza que temos é que nenhum de nós regressará igual. A Europa Viva, Associação Europeia para a Criatividade e Solidariedade Social, é um projecto cultural que assenta a sua missão no estudo da cultura europeia e na difusão dos valores da cidadania e solidariedade.
Por isso entende que não há reflexão da cultura europeia sem um estudo profundo e global das relações entre a Europa e o Mundo, sobretudo, do mundo composto pelos paises emergentes como a Russia, India, e China.
Trata-se no fundo de reflectirmos sobre a Europa pós-colonial como gostam de dizer os sociólogos e antropólogos da contemporaneidade.
Os programas do Europa em Movimento são justamente espaços culturais de reflexão onde as viagens constituem um meio e não um fim. Vamos ver, «revisitar» porque antes estudámos as realidades que estamos a visitar. O nosso objectivo é mesmo esse: estudar!!!
Os associados que embarcam conosco na aventura do transmongoliano quiseram todos saber mais e melhor sobre o papel da Russia e da China no contexto politico, económico e social global.
Agora, que estamos de partida, só nos resta a imensa vontade de reler os poetas que morreram agarrados ao poste da liberdade.

terça-feira, agosto 07, 2007

Transmongoliano - Faculdade - encontro

Encontro dia 7 de Julho às 18:45 - 19:00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Nota da Direcção

De 15 de Agosto a 3 de Setembro o secretariado da Europa Viva encontra-se a trabalhar no Transmongoliano. Se precisar de comunicar conosco pode fazê-lo por mail:
europaviva@europaviva.eu

capas que fizeram o Transmongoliano


sexta-feira, agosto 03, 2007

Mais um programa da Rota das Culturas...O Café


Nasceu mais um programa do projecto Europa em Movimento: desta vez vamos para o Brasil, Estado do Espírito do Santo (Vitória, Linhares, São Mateus, Jaguaré) viver e cheirar o café.
Trata-se de um projecto construído de raiz pela Europa Viva, integrado na Rota das Culturas, e comissariado pela Profª Maria Helena Almeida, doutora em Café (Instituto Superior de Agronomia)e pelo Prof Fabio Luiz Partelli, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, especialista em fisica e microbiologia dos solos para cafés.
O que vamos fazer ao Brasil? E porque escolhemos o Estado do Espirito Santo?
O B era a letra que falta para cumprir o BRIC Cultural. E o que nos leva ao Estado do Espirito Santo? A possibilidade de vivermos 8 dias numa roça de café e palmilharmos quilómetros pelo Brasil à procura de experiencias ecológicas únicas, em total segurança, e com as mais bonitas praias do mundo, mesmo ao lado.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Transmongoliano

Dentro de 15 dias partiremos para a nossa (longa) viagem. Alguém me chamava a atenção para a massa humana e geográfica que iremos percorrer. Se pensarmos que o nosso trajecto é de Lisboa a Xangai ficaremos com uma noção mais imagética no nosso percurso: a Europa, a Euroásia e a Asia...
Estamos obviamente ansiosos. A Europa Viva completa assim o seu mais ambicioso programa cultural: a Rota da Memória. Estamos preparados. Há mais de seis meses que nos preparamos para este percurso. O General Loureiro dos Santos já nos fez uma conferencia a contextualizar o triângulo Russia/Europa/China. O António Caeiro, jornalista da Lusa, também nos falou desse país imenso que é a China: o seu modo de vida, as linhas principais da sua cultura, o quotodiano e a economia...e enfim, alguns de nós já leram algumas obras de referencia dos autores mais representativos do nosso itinerário.
Estamos, por isso, prontos a partir.
Somos um um grupo de 28 pessoas, todos profissionais liberais. A nossa media etária é baixa, ronda os 35 anos.
A Europa Viva espera poder ter respondido com qualidade logistica ao sonho de todos nós, percorrer de comboio a Russia, a Mongólia e a China.
Pedimos a todos os nossos associados e amigos que nos acompanhem depois de 17 de Agosto através deste blog.
Enviaremos reportagens do comboio.

segunda-feira, julho 30, 2007

Curso de Fotografia - Europa Viva - Faculdade de Letras de Lisboa

O curso de fotografia Europa Viva é uma iniciativa da nossa Associação e da empresa Keepers of Light, Imagem Digital Lda, e visa fundamentalmente ministrar aos formandos os conteúdos, teóricos e práticos necessários, para se tornarem bons fotográfos.
Todos os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa beneficiam da subvenção dos preços praticados pela Europa Viva. Os associados também beneficiam de preços especiais.
Nas próximas horas o curso está on line em www.europaviva.eu

Transmongoliano - fase final...



Estamos a chegar ao fim da logistica da nossa viagem. Claro que os associados estão ansiosos por embarcar, e nós, organização, também.
Afinal, o tempo é veloz, e aquilo que parecia ser uma eternidade, mostrou-se um período bem curto para a preparação desta viagem que para nós, Europa Viva, é mais um projecto cultural, desta feita destinado a trabalhar a temática dos totalitarismos do século XX. Por isso, promovemos conferencias na Faculdade, workshops, e já agora, aproveitamos para anunciar que em Novembro próximo começam as Oficinas do Mundo, um espaço destinado a «ver, ler e ouvir do mundo» em Lisboa.
Dar-vos-emos noticias sobre as Oficinas do Mundo, justamente quando regressarmos do nosso transmongoliano.

sexta-feira, julho 27, 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

Curso de Fotografia - Europa Viva - Faculdade de Letras de Lisboa



Estão abertas inscrições para o Curso de Fotografia. O curso tem inicio em Outubro/Novembro de 2007.
Duração do Curso - 6 semanas com 2 aulas p/ semana
Carga horária- 30 horas
12h - aulas teóricas
18h - aulas práticas
Podem inscrever-se ou pedir informações pelo mail
europaviva@europaviva.eu
96 565 38 34
91 901 48 72

terça-feira, julho 24, 2007

Transmongoliano - www.europaemmovimento.eu


Os viajantes do Transmongoliano podem encontrar em www.europaemmovimento.eu muita informação sobre os paises que vamos visitar: Russia, Mongólia e China.
Quando entrar no site procure destinos...

segunda-feira, julho 23, 2007

Transmongoliano - www.xinhuanet.com

Visite www.xinhuanet.com - tem «quase» tudo sobre a China em várias linguas.

O ABC da China - in www.embaixadadachina.pt



DADOS BÁSICOS NOME: República Popular da China (RPC)

ÁREA: 9.600.000 quilómetros quadrados
POPULAÇÃO: 1,2481 bilhão (em fins de 1998, sem incluir a da Região Administrativa Especial de Hong Kong, da Província de Taiwan e de Macau)

BANDEIRA NACIONAL
A Bandeira Nacional da China é vermelha, com cinco estrelas. A bandeira é rectangular. Na parte esquerda superior há cinco estrelas amarelas, cada qual com cinco ângulos. A estrela maior fica à esquerda e as quatro pequenos formam-se numa meio-lua do lado direito da maior. A cor vermelha da bandeira representa a revolução; a cor amarela das estrelas é para destacar a claridade da terra vermelha. A estrela maior simboliza o Partido Comunista da China e as pequenas ,o povo chinês. A relação mútua entre as estrelas representa a grande união do povo sob a direcção do Partido Comunista da China.

ESCUDO NACIONAL
O Escudo Nacional da República Popular da China tem no centro a tribuna de Tian´anmen sob a luz das cinco estrelas e ladeada por espigas cerealíferas e uma roda dentada. As espigas de trigo e arroz, as estrelas, Tian´anmen e a roda dentada são douradas. O fundo do círculo e as fitas são vermelhas. Estes dois esmaltes, ouro e vermelho, são cores tradicionais e expressam, na China, fortuna e alegria. Tian'anmen simboliza o espírito nacional indomável do povo chinês na sua luta anti-imperialista e anti-feudal; a roda dentada e as espigas cerealíferas representam respectivamente a classe operária e a classe camponesa; e as cinco estrelas significam a grande união do povo chinês sob a direcção do Partido Comunista da China.

HINO NACIONAL
O Hino Nacional da República Popular da China----"A Marcha dos Voluntários" foi criado em 1935, com letra pelo poeta Tian Han e música pelo compositor de Nie Er. O texto da letra é seguinte:

De pé!
Os que recusam a escravidão!
Com nosso sangue e carne, levantamos uma nova Grande Muralha!
A Nação Chinesa enfrenta seu maior perigo,
De cada peito oprimido surge o último chamado:
De pé, de pé, de pé!
Somos milhões de corações que batem em uníssono,
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Marcharemos, marcharemos, avante!

Transmongoliano - Guia

O melhor guia para a nossa viagem é a edição de Lonely Planet:

Transsiberiano
Russia - Mongólia - China

Existe edição inglesa e francesa que pode se adquirida através da Amazon.com

sexta-feira, julho 20, 2007

20 de Agosto 2007...



De hoje a um mês já estamos no 3 dia consecutivo de travessia siberiana. A esta hora estaremos seguramente dentro do comboio. Há 3 dias que estamos dentro do comboio. Provavelmente ainda não conseguimos tomar duche. Muitos de nós estarão calma e tranquilamente a ler um seu livro, outros a escrever, e outros a conversar. Estaremos todos cheios de histórias para contar. E a nossa viagem só começou a apenas seis dias. Se Deus quiser, chegaremos ao fim desta aventura geográfica no dia 3 de Setembro. Alguns de nós voltarão a 30 de Agosto, de Pequim, mas a maioria segue para Xangai.
De hoje a um mês...estaremos na Sibéria!!!

O que se diz do Transmongoliano...


«...Más de cinco días para ir de Beijing a Moscú, pasando por Mongolia, es algo que asusta a los impacientes. Sin embargo, siempre me han gustado esas travesías. Hubo una época en que la partida era solemne: vagones casi vacíos se ponían en movimiento frente a una hilera de guardias rojos que agitaban su librito cantando El Oriente es Rojo. Hoy la partida es febril: de los pasillos atestados debordan las más variadas mercancías.
Al salir de la estación, ante la torre angular, excepcional vestigio de las murallas que se alza en el sudeste de la ciudad tártara, se advierte en las oscilaciones del tren una última vacilación. Los viajeros pasean su mirada por los últimos barrios de la capital china. Otros toman posesión de su nuevo universo, célula que emprende una lenta progresión. Las primeras horas transcurren en los relieves de la China del Norte, donde la Gran Muralla, inicialmente restaurada y luego reducida a la condición de ruina lamentable, marcaba antaño el límite del mundo civilizado. Tras penetrar en un paisaje de loes, con barrancos de tonos ocre, jalonado de sauces enjutos, el convoy asciende lentamente hacia la meseta mongola. Según las estaciones, desfila un paisaje erosionado por las lluvias estivales o yerto como una piedra en el frío invernal. El ritmo mesurado del tren y el espectáculo de esas tierras de epopeyas, fascinantes como una ribera que se aleja, incitan a la contemplación. Hasta que un entumecimiento se apodera de los pasajeros. No es aburrimiento ni cansancio, sino una mezcla de ensueños, lecturas, conversaciones, confidencias, momentos privilegiados concedidos por el tiempo, que parece olvidado o haberse vuelto menos apremiante. Una vez pasado Dantong, más al norte en tierra mongol, la estepa se extiende monótona hasta el horizonte. Un jinete, el cuidador de un rebaño de camellos, una cabaña, son puntos de humanidad en la extensión sin fin, escasamente cubierta de hierba en pleno verano, lunar a partir de noviembre.

La caída de la tarde alarga la sombra del tren.
En los vagones, las luces
han borrado el mundo exterior.

La caída de la tarde alarga la sombra del tren. En los vagones, las luces han borrado el mundo exterior. En el corazón de un desierto que se olvida, una extraña intimidad invade los compartimentos. La decoración anticuada mantiene la ilusión de un pasado esplendor: terciopelo gastado color frambuesa, pantalla rosa encintada de la lámpara sobre la mesilla junto a la ventana, espejos biselados, falsos enchapados de caoba, cortinas verdes descoloridas. Un universo hermético, arrastrado a la cadencia de la fractura de los rieles, que avanza en la noche. En los demás vagones las literas están dispuestas en tres niveles. Una luz tenue alumbra cuerpos reclinados entre sombras. El equipaje, cuidadosamente amarrado y amontonado, termina de saturar el espacio.
Ulan Bator, el valle del Selenga y las orillas del Baikal, Irkutsk, Tomsk, Novosibirsk, Sverdlovsk, que ha vuelto a ser Ekaterinburgo, el Ural. Los días transcurren al son de una letanía de nombres que giran como las ruedas del tren. Las transiciones son lentas y ya se han creado hábitos entre los pasajeros. Vuelven del samovar instalado en el extremo del pasillo con paso vacilante, se sumen en sus sueños acodados en la ventana o, cansados de un trayecto que les parece infinito, juegan a las cartas o al ajedrez.
El vagón restaurante cambia según el territorio. Chino para empezar, mongol a continuación, ruso para terminar, ofrece una trayectoria gastronómica poco refinada y experiencias desiguales. Pero, cantina o figón, forma parte del viaje, suscita migraciones regulares, brinda a su manera un suplemento de exotismo. Los fuertes olores a ajo, los efluvios de carnero hervido o las emanaciones agrias de la solianka (sopa de repollo) acompañan el chirrido y el balanceo de los ejes. A las horas de apertura es el sitio más animado del tren. La clientela es variopinta. Hay unos pocos occidentales, curiosos del más mínimo detalle, que tratan de charlar con los autóctonos en alguna lengua conocida, chinos que descubren prudentemente a sus vecinos y, más lejos, rusos inclinados sobre su borsch, confundidos por semejante afluencia de extranjeros.
Hubo una época en que sólo contados diplomáticos de los países del Este tomaban el transiberiano para llegar a la URSS.

Las paradas no son frecuentes.
Pero, en esos altos,
el andén se transforma de
pronto en bazar.

Pero de unos años a esta parte, suben a este tren semanal que une Beijing a Moscú, por Mongolia o por Manchuria, pasajeros con motivaciones sumamente diversas. La más frecuente es el comercio. Revela las penurias más allá de una frontera, el ingenio de que hacen gala los comerciantes, el frenesí de poblaciones privadas de intercambios durante muchos años y que han redescubierto el trueque. También hay “especialistas”, atraídos por los expresos internacionales, al acecho para cometer algún latrocinio o incluso un crimen. Rondan aún aventureras con mirada perdida y candidatos a la emigración que sueñan con los paraísos de Europa y tratan de pasar inadvertidos.
Cuanto más nos adentramos en Siberia, más se animan los pasillos. Empleados del ferrocarril y pasajeros, todos chinos, sacan a relucir cargamentos de sacos de arroz, fardos de ropa, utensilios de plástico. Las paradas no son frecuentes. Pero, en esos altos, el andén se transforma de pronto en bazar. Hileras de mujeres rusas, venidas expresamente, ofrecen los objetos más inesperados: bayas de los bosques vecinos, papas calientes, lámparas recargadas, zapatos evidentemente incómodos. Hombres y mujeres cruzan las vías y se deslizan bajo los vagones, arrastrando sacos abarrotados de quién sabe qué mercancía. Un adolescente huye tras haber arrebatado un pantalón que un chino ofrecía por una ventanilla del tren. Bruscamente, el silbido de la locomotora pone fin a las transacciones, y los últimos pasajeros se apresuran a subir pensando en la próxima etapa.
Luego se llega a las cercanías de Moscú, a aldeas con campanarios blancos o dorados, como los abedules que cubren la campiña rusa en otoño.
Este viaje, fuente de aventuras, es propicio a la imaginación. ¿No es La Prosa del Transiberiano del escritor francés Blaise Cendrars una de las obras más hermosas de la poesía moderna? La travesía ferroviaria de Asia a Europa sigue ejerciendo la misma fascinación. Como si los personajes errantes de un continente a otro, fijados en nuestros recuerdos al capricho de los compartimentos y las cursivas, encarnaran
por sí solos la permanencia del destino de la humanidad.»

UNESCO - Correio

O que se diz do Transmongoliano...


«...São necessários mais de dois dias só para sair do continente europeu e entrar no asiático. Com a diferença horária a aumentar rapidamente, é difícil discernir o dia da noite na Sibéria: o sol esconde-se depois da meia-noite e reaparece pouco depois.
Uma hipótese de viagem é fazer todo o Transiberiano com apenas as paragens de quinze a trinta minutos em alguns apeadeiros; outra é abandonar o comboio num desses intervalos e partir em busca das cidades gélidas da Sibéria e voltar a apanhar o comboio um ou vários dias depois.
A primeira cidade digna de paragem é Irkutsk (a cerca de 5100 quilómetros de Moscovo e após mais de três dias de viagem). Envolvida numa atmosfera única, a urbe torna-se interessante pela arquitectura e pela proximidade ao mítico lago Baikal, a apenas 60 quilómetros, cuja grandiosidade atrai milhares de amantes da natureza. O Baikal é o maior lago de água doce do planeta, ocupando uma área de mais de 30 mil quilómetros quadrados (um terço de Portugal) e com uma profundidade máxima que supera os 1600m. A água a perder de vista leva mesmo a que os residentes se refiram a Baikal como um mar. À volta do lago desenvolvem-se inúmeras actividades, oferecidas por alguns operadores turísticos (informações em www.bww.irk.ru ou www.baikalex.com, disponível em inglês).
Ulan-Ude: o primeiro destino asiático
Após uma incursão pelo lago, há que seguir viagem e voltar a entrar no gigante Transiberiano. Seiscentos quilómetros mais à frente, outra boa razão para uma longa paragem: Ulan-Ude. Aqui, o mundo asiático abre as suas portas. É que, apesar de se estar a dois dias de viagem da fronteira entre os dois continentes, só agora os traços e o clima asiáticos começam a impor-se. Uma visita ao Museu de História ou ao Museu Etnográfico pode ser um bom arranque para conhecer a cidade. Há ainda a hipótese de explorar o lado este do Baikal, muito menos turístico do que as margens próximas de Irkutsk, mas tão ou mais fascinante.
A partir daqui podem seguir-se três diferentes rotas: a do Transiberiano, que continua para este por Chita e Khabarovsk até Vladivostok; a do Transmongol, que percorre a Mongólia para sul, por Ulan-Bator até Pequim, na China; e a do Transmanchuriano, que segue por sudeste, passando por Chita e Harbin até Pequim.
Apesar das imprecisões geográficas dadas por Hugo Pratt, deverá ter sido neste ponto que Corto se separa de Jack Tippit, que segue com a duquesa para Irkutsk (o Transiberiano da duquesa percorre na história o caminho de regresso a Moscovo), para ele próprio tentar chegar a Harbin, na Manchúria. Se a vontade não for regressar de comboio ao ponto de partida, então a melhor hipótese poderá ser mesmo abandonar o Transiberiano e seguir por uma das outras duas linhas em direcção a Pequim, uma vez que os transportes para abandonar Vladivostok, quer por ar quer por mar, são maus e muito dispendiosos.
Pelo Transmongol, encontra-se Ulan-Bator, uma cidade que parece saída de um filme dos anos 50: os velhos transportes soviéticos continuam a ser substituídos por versões japonesas mais recentes, mas ainda se encontram vacas e cabras a passearem-se nas ruas e grande parte da população mantém as vestes tradicionais. Se se optar pelo Transmanchuriano, é necessária uma paragem em Harbin, já na China, principalmente se a viagem se realizar entre Janeiro e Fevereiro, altura em que a cidade se enfeita com esculturas de gelo...»

Jornal Público, 13 de Novembro de 2004 - suplemento Fugas (texto não assinado)

O que se diz do Transmongoliano...



Corredores transcontinentais
Um dos corredores históricos míticos é a linha do Transiberiano de Moscovo a Vladivostok, onde se tem verificado um incremento do tráfico de mercadorias nos últimos anos. Os Nórdicos utilizam este corredor nas suas trocas comerciais com o Extremo Oriente.

O NEW – The Northern East-West Freight Corridor –, corredor transcontinental, é um projecto ambicioso patrocinado pela União Internacional dos Caminhos-de-Ferro - UIC. Prevê a transferência das mercadorias transportadas por via marítima, entre a América do Norte, a Europa e o Extremo Oriente, para o meio de transporte ferroviário. A ligação da América do Norte para a Europa é inevitável que seja por via marítima. Depois, na Escandinávia, far-se-á a transferência para comboio com destino ao Extremo Oriente. Para além da Rússia, pressupõe também a travessia do Cazaquistão e da China até chegar aos portos do Mar Amarelo. A sua articulação com o Transiberiano deverá ser possível, o que, a concretizar-se, contornará a China a Norte passando pela Mongólia.

Para que se tenha uma ideia, a maioria das linhas que permitirão esta ligação já existem. As dificuldades prendem-se com os aspectos técnicos de adaptação das linhas, já referidos anteriormente. No entanto, só quando, dentro de alguns anos, todas estas articulações técnicas forem executadas é que será possível que as composições ferroviárias circulem ininterruptamente entre a Escandinávia e o Mar Amarelo. Para além dos entraves técnicos há igualmente questões políticas a ultrapassar. O traçado prevê a ligação de Vladivostok à Coreia do Norte, seguindo daí até aos portos da Coreia do Sul, o que permitirá depois a ligação ao Japão. Uma das questões políticas a ultrapassar prende-se com a ligação ferroviária entre as duas Coreias.

O transporte marítimo entre a América do Norte e o Extremo Oriente demora hoje cerca de mês e meio. No caso da ferrovia, presentemente já se fazem ligações, através do Transiberiano, entre a Finlândia e o Extremo Oriente em cerca de treze dias. Quando o NEW se concretizar, se houver nele uma aposta por parte dos grandes operadores, poderá constituir uma revolução no transporte internacional de mercadorias, ao permitir a ligação entre os grandes blocos comerciais a nível mundial: a América do Norte, a Europa Ocidental e o Extremo Oriente.

Um outro projecto que se articulará com este será o TRACECA – Transport Corridor Europe Caucasus Asia –, projecto que conta com apoios comunitários e que aposta numa combinação entre ligações ferroviárias e marítimas. Ligará a Europa Ocidental até ao Mar Negro, depois ao Mar Cáspio (através do Cáucaso) e à Ásia Central, ligando-se finalmente ao NEW. Encontrará dificuldades políticas quer na travessia do Cáucaso, quer na travessia da Ásia Central. Pretende funcionar como mais um eixo de escoamento de mercadorias, prevendo-se que permita a circulação de milhares de contentores mensalmente entre estas regiões.

Curso de Fotografia - Europa Viva - Faculdade de Letras de Lisboa

Programa do Curso de Fotografia:

Composição

Trabalhos práticos de natureza estética e de comunicação visual, no
que respeita aos mecanismos de construção, leitura e interpretação das
imagens.

Técnica Fotográfica

Trabalhos práticos centrados na utilização da câmera fotográfica:
Focagem, zoom, fotometria, tempos de exposição e congelamento,
aberturas e profundidade de campo. Tipos de formatos, câmeras
fotográficas e óptica. O espectro electromagnético invisível e
visível. Construção de uma câmera fotográfica (pin-hole) ou Câmera
estenopaica.

Fotografia

Nesta temática, propõe-se uma acção de tutoria directa nas actividades
fotográficas dos participantes pela eleição de temas criados pelos
mesmos.
Esta temática ficará também responsável pelo acompanhamento, análise,
discussão selecção de imagens e de assuntos, produção e preparação de
projectos individuais.
O participante terá sempre um acompanhamento personalizado e
indivídual de modo a oferecer uma assistência e auxílio permanentes.


Técnicas de Laboratório a preto e Branco

Nesta disciplina, o participante adquire experência e conhecimentos de
natureza tecnológica e prática no que diz respeito ao manuseamento de
substâncias fotosensíveis tais como o negativo P/B e sua respectiva
revelação, provas de contacto, impressão em papel fotográfico,
revelação do papel fotográfico e fotogramas.


Planificação do programa:

Apresentação individual dos participantes

Introdução ao Laboratório com os Fotogramas (Laboratório P/B)

A luz e o espectro electromagnético visível (T. Fotográfica)

Fotogramas (Laboratório P/B)

Construção de imagens em caixilhos anti-newton + visionamento (Composição)

Impressão e revelação em laboratório das imagens encaixilhadas



Construção de Câmera Fotográfica Pin-hole (T. Fotográfica)

Fotografia em Câmera Pin-hole (T. Fotográfica) + revelação de negativo
em Laboratório

Impressão de negativo pin-hole a P/B para positivo (laboratório P/B)

Escala de cinzentos (Lab. P/B)

Fotómetria, Focagem, Tempos de exposição (congelamento), aberturas
(Profundidade de campo) e panning. (T. Fotográfica)

A natureza Morta, a Paisagem, o Retrato, o Auto-retrato (Composição)

Discussão sobre Tomadas de Vista, Ponto de Vista, Enquadramentos,
Manipulação de Planos e Abordagem do Assunto. (Fotografia)

Visionamento de imagens de estilos e correntes ideológicas (Composição)

Marcação e eleição de temas (Fotografia)

Acompanhamento e Orientação do assunto das imagens (Fotografia)

Filtros de Grau variável de contraste (Lab. P/B)

Revelação da Película A P/B (Lab.P/B)

Impressão dos temas (Lab.P/B)

Acabamentos e preparação da Exposição

Análise e crítica dos trabalhos

Ida a uma exposição de Fotografia (Conforme o interesse dos participantes)

Para mais informações:

96 365 38 34
91 901 48 72
europaviva@europaviva.eu

quinta-feira, julho 19, 2007

+ 1 nova sócia - Maria Andresen


Maria Andresen é a nova associada da Europa Viva.

quarta-feira, julho 18, 2007

Viagens Sentimentais - Tiago Salazar


A Oficina do Livro lança hoje o livro do jornalista Tiago Salazar, Viagens Sentimentais: FNAC do Colombo ás 18:30.
Os viajantes do transmongoliano podem encontrar neste livro dois textos importantes: um, dedicado justamente ao Transmongoliano, e outro, a Pequim.
O Transmongoliano que a Europa Viva pensou e vai realizar é fruto de muitas sugestões que o Tiago Salazar aconselhou.
Por isso, adaptámos o nosso itinerário ultrapassando os pontos fracos que o jornalista encontrou na viagem que realizou o ano passado.
Temos a certeza que valeu a pena aceitarmos os conselhos e as sugestões.
Do terreno vamos dando noticias...
Dia 18 de Agosto iniciamos a nossa viagem de comboio.

terça-feira, julho 17, 2007

2 aniversário Europa Viva

Transmongoliano - Ryszard Kapuscinski

Não deixem de ler dois livros importantissimos de literatura de viagens, escritos por um dos maiores, senão mesmo o maior jornalista de viagens do século XX: RYSZARD kAPUSCINSKI.
- O Império Campo das Letras

- Andanças com Heródoto - Campos das Letras

No Império, o autor tem um capitulo dedicado ao Transsiberiano e várias reportagens de análise sobre a ex- URSS.
Em Andanças com Heródoto encontraremos também textos dedicados à China.

O Gosto do Chá...jantar - 27 de Julho

O jantar do grupo O Gosto do Chá ficou marcado para dia 27 de Julho de 2007.

segunda-feira, julho 16, 2007

Reportagem 2 aniversário - 14 de Julho 2007













2 aniversário Europa Viva

Faz hoje dois anos que nascemos para a ordem juridica portuguesa, isto é, faz hoje dois anos que a Europa Viva se constituiu uma Associação com uma missão estatutária muito clara: promover, difundir, divulgar e reflectir a cultura europeia, os valores da cidadania e da solidariedade social.
Há dois anos, pois, que trabalhamos dia e noite por este magno objectivo: contribuir para a valorização da cultura como factor de coesão social, como elemento estruturante do crescimento do individuo, e também como instrumento fundamental de solidariedade social.
Sem nenhum apoio comunitário, nem estatal, nem empresarial, já pusémos de pé três projectos:
- um, o projecto Casa da Memória que procura reflectir nas matrizes culturais europeias;
- outro, o projecto Europa em Movimento que sintetiza o contributo da Europa Viva para a promoção dos valores da diversidade cultural, não apenas na sua condição de membro da Unesco para o projecto da Alliance Globalle, mas como projecto verdadeiramente empenhado em trabalhar a promoção do valor da diversidade cultural como parte integrante da cultura universal europeia;
- e ainda o projecto Europa Social que integra dois programas: o programa Europa Sénior, destinado ao apoio da população sénior na freguesia da Penha de França, e o programa Europa Cultural destinado à formação artistica social, sobretudo dos melhores alunos das escolas mais carencidas de Lisboa, oferendo-lhes bolsas para frequentarem ciclos de musica na Fundação Gulbenkian, bem como bolsas para os melhores alunos da Licenciatura de Estudos Europeus da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em alguns dos projectos que estamos a empreender na área da formação como o Curso Europa e Religiões, o curso de fotogragia e video.
Estamos a prepararmo-nos para trabalharmos outro tanto neste terceiro ano de actividade. Queremos por isso agradeçer a todos os associados e amigos que conosco têm empreendido animadamente esta tarefa; sem voçês este projecto jamais estaria no terreno.
Comemorámos oficialmente as celebrações do 2 aniversário em Maio último com o magnifico e inesquecível concerto para piano que Oliver tocou no Palácio Nacional de Queluz.
Mas ainda assim não quisémos deixar passar a data de 15 de Julho de 2007. Foi discreta mas muito animadamente que organizámos mais um encontro eco-memória nos parques de Sintra e por lá fomos deixando rasto com uma actividade Caça ao Tesouro Europa Viva, seguida de um picnique maravilhoso.
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