sexta-feira, agosto 10, 2007

Europa e Religiões - Curso



A Europa Viva congratula-se com o acolhimento que o Curso Europa e Religiões tem tido junto da sociedade civil. Trata-se de uma iniciativa só possivel pela adesão dos lideres das comunidades religiosas e seus representantes que souberam desde o primeiro minuto responder sim à nossa iniciativa.
Como sabem o secretariado da Europa Viva vai estar em trabalho fora de Portugal até 3 de Setembro. Sim, estamos a acompanhar os associados no Transmongoliano. Por isso, pedimos a todos os interessados neste curso que enviem um mail para europaviva@europaviva.eu caso queiram inscrever-se ou pedir algum esclarecimento sobre este curso.

capas que fizeram o Transmongoliano

quinta-feira, agosto 09, 2007

Fim...

Um ano depois aqui estamos prontos para embarcar no comboio que nos levará a uma travessia pela Russia, Mongólia e China, no mítico transmongoliano, cantado inumeras vezes pela literatura, sobretudo, nos últimos 70 anos.
Foi um ano de muito trabalho, total dedicação, empenhamento absoluto, que resultou neste projecto Rotas da Memória, uma revisitação à memória dos totalitarismos, onde iremos encontrar realidades distantes deste tempo e outras ainda muito próximas dos ideias que nos chegaram destas paragens nos últimos 50 anos.
A certeza que temos é que nenhum de nós regressará igual. A Europa Viva, Associação Europeia para a Criatividade e Solidariedade Social, é um projecto cultural que assenta a sua missão no estudo da cultura europeia e na difusão dos valores da cidadania e solidariedade.
Por isso entende que não há reflexão da cultura europeia sem um estudo profundo e global das relações entre a Europa e o Mundo, sobretudo, do mundo composto pelos paises emergentes como a Russia, India, e China.
Trata-se no fundo de reflectirmos sobre a Europa pós-colonial como gostam de dizer os sociólogos e antropólogos da contemporaneidade.
Os programas do Europa em Movimento são justamente espaços culturais de reflexão onde as viagens constituem um meio e não um fim. Vamos ver, «revisitar» porque antes estudámos as realidades que estamos a visitar. O nosso objectivo é mesmo esse: estudar!!!
Os associados que embarcam conosco na aventura do transmongoliano quiseram todos saber mais e melhor sobre o papel da Russia e da China no contexto politico, económico e social global.
Agora, que estamos de partida, só nos resta a imensa vontade de reler os poetas que morreram agarrados ao poste da liberdade.

terça-feira, agosto 07, 2007

Transmongoliano - Faculdade - encontro

Encontro dia 7 de Julho às 18:45 - 19:00 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Nota da Direcção

De 15 de Agosto a 3 de Setembro o secretariado da Europa Viva encontra-se a trabalhar no Transmongoliano. Se precisar de comunicar conosco pode fazê-lo por mail:
europaviva@europaviva.eu

capas que fizeram o Transmongoliano


sexta-feira, agosto 03, 2007

Mais um programa da Rota das Culturas...O Café


Nasceu mais um programa do projecto Europa em Movimento: desta vez vamos para o Brasil, Estado do Espírito do Santo (Vitória, Linhares, São Mateus, Jaguaré) viver e cheirar o café.
Trata-se de um projecto construído de raiz pela Europa Viva, integrado na Rota das Culturas, e comissariado pela Profª Maria Helena Almeida, doutora em Café (Instituto Superior de Agronomia)e pelo Prof Fabio Luiz Partelli, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, especialista em fisica e microbiologia dos solos para cafés.
O que vamos fazer ao Brasil? E porque escolhemos o Estado do Espirito Santo?
O B era a letra que falta para cumprir o BRIC Cultural. E o que nos leva ao Estado do Espirito Santo? A possibilidade de vivermos 8 dias numa roça de café e palmilharmos quilómetros pelo Brasil à procura de experiencias ecológicas únicas, em total segurança, e com as mais bonitas praias do mundo, mesmo ao lado.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Transmongoliano

Dentro de 15 dias partiremos para a nossa (longa) viagem. Alguém me chamava a atenção para a massa humana e geográfica que iremos percorrer. Se pensarmos que o nosso trajecto é de Lisboa a Xangai ficaremos com uma noção mais imagética no nosso percurso: a Europa, a Euroásia e a Asia...
Estamos obviamente ansiosos. A Europa Viva completa assim o seu mais ambicioso programa cultural: a Rota da Memória. Estamos preparados. Há mais de seis meses que nos preparamos para este percurso. O General Loureiro dos Santos já nos fez uma conferencia a contextualizar o triângulo Russia/Europa/China. O António Caeiro, jornalista da Lusa, também nos falou desse país imenso que é a China: o seu modo de vida, as linhas principais da sua cultura, o quotodiano e a economia...e enfim, alguns de nós já leram algumas obras de referencia dos autores mais representativos do nosso itinerário.
Estamos, por isso, prontos a partir.
Somos um um grupo de 28 pessoas, todos profissionais liberais. A nossa media etária é baixa, ronda os 35 anos.
A Europa Viva espera poder ter respondido com qualidade logistica ao sonho de todos nós, percorrer de comboio a Russia, a Mongólia e a China.
Pedimos a todos os nossos associados e amigos que nos acompanhem depois de 17 de Agosto através deste blog.
Enviaremos reportagens do comboio.

segunda-feira, julho 30, 2007

Curso de Fotografia - Europa Viva - Faculdade de Letras de Lisboa

O curso de fotografia Europa Viva é uma iniciativa da nossa Associação e da empresa Keepers of Light, Imagem Digital Lda, e visa fundamentalmente ministrar aos formandos os conteúdos, teóricos e práticos necessários, para se tornarem bons fotográfos.
Todos os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa beneficiam da subvenção dos preços praticados pela Europa Viva. Os associados também beneficiam de preços especiais.
Nas próximas horas o curso está on line em www.europaviva.eu

Transmongoliano - fase final...



Estamos a chegar ao fim da logistica da nossa viagem. Claro que os associados estão ansiosos por embarcar, e nós, organização, também.
Afinal, o tempo é veloz, e aquilo que parecia ser uma eternidade, mostrou-se um período bem curto para a preparação desta viagem que para nós, Europa Viva, é mais um projecto cultural, desta feita destinado a trabalhar a temática dos totalitarismos do século XX. Por isso, promovemos conferencias na Faculdade, workshops, e já agora, aproveitamos para anunciar que em Novembro próximo começam as Oficinas do Mundo, um espaço destinado a «ver, ler e ouvir do mundo» em Lisboa.
Dar-vos-emos noticias sobre as Oficinas do Mundo, justamente quando regressarmos do nosso transmongoliano.

sexta-feira, julho 27, 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

Curso de Fotografia - Europa Viva - Faculdade de Letras de Lisboa



Estão abertas inscrições para o Curso de Fotografia. O curso tem inicio em Outubro/Novembro de 2007.
Duração do Curso - 6 semanas com 2 aulas p/ semana
Carga horária- 30 horas
12h - aulas teóricas
18h - aulas práticas
Podem inscrever-se ou pedir informações pelo mail
europaviva@europaviva.eu
96 565 38 34
91 901 48 72

terça-feira, julho 24, 2007

Transmongoliano - www.europaemmovimento.eu


Os viajantes do Transmongoliano podem encontrar em www.europaemmovimento.eu muita informação sobre os paises que vamos visitar: Russia, Mongólia e China.
Quando entrar no site procure destinos...

segunda-feira, julho 23, 2007

Transmongoliano - www.xinhuanet.com

Visite www.xinhuanet.com - tem «quase» tudo sobre a China em várias linguas.

O ABC da China - in www.embaixadadachina.pt



DADOS BÁSICOS NOME: República Popular da China (RPC)

ÁREA: 9.600.000 quilómetros quadrados
POPULAÇÃO: 1,2481 bilhão (em fins de 1998, sem incluir a da Região Administrativa Especial de Hong Kong, da Província de Taiwan e de Macau)

BANDEIRA NACIONAL
A Bandeira Nacional da China é vermelha, com cinco estrelas. A bandeira é rectangular. Na parte esquerda superior há cinco estrelas amarelas, cada qual com cinco ângulos. A estrela maior fica à esquerda e as quatro pequenos formam-se numa meio-lua do lado direito da maior. A cor vermelha da bandeira representa a revolução; a cor amarela das estrelas é para destacar a claridade da terra vermelha. A estrela maior simboliza o Partido Comunista da China e as pequenas ,o povo chinês. A relação mútua entre as estrelas representa a grande união do povo sob a direcção do Partido Comunista da China.

ESCUDO NACIONAL
O Escudo Nacional da República Popular da China tem no centro a tribuna de Tian´anmen sob a luz das cinco estrelas e ladeada por espigas cerealíferas e uma roda dentada. As espigas de trigo e arroz, as estrelas, Tian´anmen e a roda dentada são douradas. O fundo do círculo e as fitas são vermelhas. Estes dois esmaltes, ouro e vermelho, são cores tradicionais e expressam, na China, fortuna e alegria. Tian'anmen simboliza o espírito nacional indomável do povo chinês na sua luta anti-imperialista e anti-feudal; a roda dentada e as espigas cerealíferas representam respectivamente a classe operária e a classe camponesa; e as cinco estrelas significam a grande união do povo chinês sob a direcção do Partido Comunista da China.

HINO NACIONAL
O Hino Nacional da República Popular da China----"A Marcha dos Voluntários" foi criado em 1935, com letra pelo poeta Tian Han e música pelo compositor de Nie Er. O texto da letra é seguinte:

De pé!
Os que recusam a escravidão!
Com nosso sangue e carne, levantamos uma nova Grande Muralha!
A Nação Chinesa enfrenta seu maior perigo,
De cada peito oprimido surge o último chamado:
De pé, de pé, de pé!
Somos milhões de corações que batem em uníssono,
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Marcharemos, marcharemos, avante!

Transmongoliano - Guia

O melhor guia para a nossa viagem é a edição de Lonely Planet:

Transsiberiano
Russia - Mongólia - China

Existe edição inglesa e francesa que pode se adquirida através da Amazon.com

sexta-feira, julho 20, 2007

20 de Agosto 2007...



De hoje a um mês já estamos no 3 dia consecutivo de travessia siberiana. A esta hora estaremos seguramente dentro do comboio. Há 3 dias que estamos dentro do comboio. Provavelmente ainda não conseguimos tomar duche. Muitos de nós estarão calma e tranquilamente a ler um seu livro, outros a escrever, e outros a conversar. Estaremos todos cheios de histórias para contar. E a nossa viagem só começou a apenas seis dias. Se Deus quiser, chegaremos ao fim desta aventura geográfica no dia 3 de Setembro. Alguns de nós voltarão a 30 de Agosto, de Pequim, mas a maioria segue para Xangai.
De hoje a um mês...estaremos na Sibéria!!!

O que se diz do Transmongoliano...


«...Más de cinco días para ir de Beijing a Moscú, pasando por Mongolia, es algo que asusta a los impacientes. Sin embargo, siempre me han gustado esas travesías. Hubo una época en que la partida era solemne: vagones casi vacíos se ponían en movimiento frente a una hilera de guardias rojos que agitaban su librito cantando El Oriente es Rojo. Hoy la partida es febril: de los pasillos atestados debordan las más variadas mercancías.
Al salir de la estación, ante la torre angular, excepcional vestigio de las murallas que se alza en el sudeste de la ciudad tártara, se advierte en las oscilaciones del tren una última vacilación. Los viajeros pasean su mirada por los últimos barrios de la capital china. Otros toman posesión de su nuevo universo, célula que emprende una lenta progresión. Las primeras horas transcurren en los relieves de la China del Norte, donde la Gran Muralla, inicialmente restaurada y luego reducida a la condición de ruina lamentable, marcaba antaño el límite del mundo civilizado. Tras penetrar en un paisaje de loes, con barrancos de tonos ocre, jalonado de sauces enjutos, el convoy asciende lentamente hacia la meseta mongola. Según las estaciones, desfila un paisaje erosionado por las lluvias estivales o yerto como una piedra en el frío invernal. El ritmo mesurado del tren y el espectáculo de esas tierras de epopeyas, fascinantes como una ribera que se aleja, incitan a la contemplación. Hasta que un entumecimiento se apodera de los pasajeros. No es aburrimiento ni cansancio, sino una mezcla de ensueños, lecturas, conversaciones, confidencias, momentos privilegiados concedidos por el tiempo, que parece olvidado o haberse vuelto menos apremiante. Una vez pasado Dantong, más al norte en tierra mongol, la estepa se extiende monótona hasta el horizonte. Un jinete, el cuidador de un rebaño de camellos, una cabaña, son puntos de humanidad en la extensión sin fin, escasamente cubierta de hierba en pleno verano, lunar a partir de noviembre.

La caída de la tarde alarga la sombra del tren.
En los vagones, las luces
han borrado el mundo exterior.

La caída de la tarde alarga la sombra del tren. En los vagones, las luces han borrado el mundo exterior. En el corazón de un desierto que se olvida, una extraña intimidad invade los compartimentos. La decoración anticuada mantiene la ilusión de un pasado esplendor: terciopelo gastado color frambuesa, pantalla rosa encintada de la lámpara sobre la mesilla junto a la ventana, espejos biselados, falsos enchapados de caoba, cortinas verdes descoloridas. Un universo hermético, arrastrado a la cadencia de la fractura de los rieles, que avanza en la noche. En los demás vagones las literas están dispuestas en tres niveles. Una luz tenue alumbra cuerpos reclinados entre sombras. El equipaje, cuidadosamente amarrado y amontonado, termina de saturar el espacio.
Ulan Bator, el valle del Selenga y las orillas del Baikal, Irkutsk, Tomsk, Novosibirsk, Sverdlovsk, que ha vuelto a ser Ekaterinburgo, el Ural. Los días transcurren al son de una letanía de nombres que giran como las ruedas del tren. Las transiciones son lentas y ya se han creado hábitos entre los pasajeros. Vuelven del samovar instalado en el extremo del pasillo con paso vacilante, se sumen en sus sueños acodados en la ventana o, cansados de un trayecto que les parece infinito, juegan a las cartas o al ajedrez.
El vagón restaurante cambia según el territorio. Chino para empezar, mongol a continuación, ruso para terminar, ofrece una trayectoria gastronómica poco refinada y experiencias desiguales. Pero, cantina o figón, forma parte del viaje, suscita migraciones regulares, brinda a su manera un suplemento de exotismo. Los fuertes olores a ajo, los efluvios de carnero hervido o las emanaciones agrias de la solianka (sopa de repollo) acompañan el chirrido y el balanceo de los ejes. A las horas de apertura es el sitio más animado del tren. La clientela es variopinta. Hay unos pocos occidentales, curiosos del más mínimo detalle, que tratan de charlar con los autóctonos en alguna lengua conocida, chinos que descubren prudentemente a sus vecinos y, más lejos, rusos inclinados sobre su borsch, confundidos por semejante afluencia de extranjeros.
Hubo una época en que sólo contados diplomáticos de los países del Este tomaban el transiberiano para llegar a la URSS.

Las paradas no son frecuentes.
Pero, en esos altos,
el andén se transforma de
pronto en bazar.

Pero de unos años a esta parte, suben a este tren semanal que une Beijing a Moscú, por Mongolia o por Manchuria, pasajeros con motivaciones sumamente diversas. La más frecuente es el comercio. Revela las penurias más allá de una frontera, el ingenio de que hacen gala los comerciantes, el frenesí de poblaciones privadas de intercambios durante muchos años y que han redescubierto el trueque. También hay “especialistas”, atraídos por los expresos internacionales, al acecho para cometer algún latrocinio o incluso un crimen. Rondan aún aventureras con mirada perdida y candidatos a la emigración que sueñan con los paraísos de Europa y tratan de pasar inadvertidos.
Cuanto más nos adentramos en Siberia, más se animan los pasillos. Empleados del ferrocarril y pasajeros, todos chinos, sacan a relucir cargamentos de sacos de arroz, fardos de ropa, utensilios de plástico. Las paradas no son frecuentes. Pero, en esos altos, el andén se transforma de pronto en bazar. Hileras de mujeres rusas, venidas expresamente, ofrecen los objetos más inesperados: bayas de los bosques vecinos, papas calientes, lámparas recargadas, zapatos evidentemente incómodos. Hombres y mujeres cruzan las vías y se deslizan bajo los vagones, arrastrando sacos abarrotados de quién sabe qué mercancía. Un adolescente huye tras haber arrebatado un pantalón que un chino ofrecía por una ventanilla del tren. Bruscamente, el silbido de la locomotora pone fin a las transacciones, y los últimos pasajeros se apresuran a subir pensando en la próxima etapa.
Luego se llega a las cercanías de Moscú, a aldeas con campanarios blancos o dorados, como los abedules que cubren la campiña rusa en otoño.
Este viaje, fuente de aventuras, es propicio a la imaginación. ¿No es La Prosa del Transiberiano del escritor francés Blaise Cendrars una de las obras más hermosas de la poesía moderna? La travesía ferroviaria de Asia a Europa sigue ejerciendo la misma fascinación. Como si los personajes errantes de un continente a otro, fijados en nuestros recuerdos al capricho de los compartimentos y las cursivas, encarnaran
por sí solos la permanencia del destino de la humanidad.»

UNESCO - Correio

O que se diz do Transmongoliano...


«...São necessários mais de dois dias só para sair do continente europeu e entrar no asiático. Com a diferença horária a aumentar rapidamente, é difícil discernir o dia da noite na Sibéria: o sol esconde-se depois da meia-noite e reaparece pouco depois.
Uma hipótese de viagem é fazer todo o Transiberiano com apenas as paragens de quinze a trinta minutos em alguns apeadeiros; outra é abandonar o comboio num desses intervalos e partir em busca das cidades gélidas da Sibéria e voltar a apanhar o comboio um ou vários dias depois.
A primeira cidade digna de paragem é Irkutsk (a cerca de 5100 quilómetros de Moscovo e após mais de três dias de viagem). Envolvida numa atmosfera única, a urbe torna-se interessante pela arquitectura e pela proximidade ao mítico lago Baikal, a apenas 60 quilómetros, cuja grandiosidade atrai milhares de amantes da natureza. O Baikal é o maior lago de água doce do planeta, ocupando uma área de mais de 30 mil quilómetros quadrados (um terço de Portugal) e com uma profundidade máxima que supera os 1600m. A água a perder de vista leva mesmo a que os residentes se refiram a Baikal como um mar. À volta do lago desenvolvem-se inúmeras actividades, oferecidas por alguns operadores turísticos (informações em www.bww.irk.ru ou www.baikalex.com, disponível em inglês).
Ulan-Ude: o primeiro destino asiático
Após uma incursão pelo lago, há que seguir viagem e voltar a entrar no gigante Transiberiano. Seiscentos quilómetros mais à frente, outra boa razão para uma longa paragem: Ulan-Ude. Aqui, o mundo asiático abre as suas portas. É que, apesar de se estar a dois dias de viagem da fronteira entre os dois continentes, só agora os traços e o clima asiáticos começam a impor-se. Uma visita ao Museu de História ou ao Museu Etnográfico pode ser um bom arranque para conhecer a cidade. Há ainda a hipótese de explorar o lado este do Baikal, muito menos turístico do que as margens próximas de Irkutsk, mas tão ou mais fascinante.
A partir daqui podem seguir-se três diferentes rotas: a do Transiberiano, que continua para este por Chita e Khabarovsk até Vladivostok; a do Transmongol, que percorre a Mongólia para sul, por Ulan-Bator até Pequim, na China; e a do Transmanchuriano, que segue por sudeste, passando por Chita e Harbin até Pequim.
Apesar das imprecisões geográficas dadas por Hugo Pratt, deverá ter sido neste ponto que Corto se separa de Jack Tippit, que segue com a duquesa para Irkutsk (o Transiberiano da duquesa percorre na história o caminho de regresso a Moscovo), para ele próprio tentar chegar a Harbin, na Manchúria. Se a vontade não for regressar de comboio ao ponto de partida, então a melhor hipótese poderá ser mesmo abandonar o Transiberiano e seguir por uma das outras duas linhas em direcção a Pequim, uma vez que os transportes para abandonar Vladivostok, quer por ar quer por mar, são maus e muito dispendiosos.
Pelo Transmongol, encontra-se Ulan-Bator, uma cidade que parece saída de um filme dos anos 50: os velhos transportes soviéticos continuam a ser substituídos por versões japonesas mais recentes, mas ainda se encontram vacas e cabras a passearem-se nas ruas e grande parte da população mantém as vestes tradicionais. Se se optar pelo Transmanchuriano, é necessária uma paragem em Harbin, já na China, principalmente se a viagem se realizar entre Janeiro e Fevereiro, altura em que a cidade se enfeita com esculturas de gelo...»

Jornal Público, 13 de Novembro de 2004 - suplemento Fugas (texto não assinado)

O que se diz do Transmongoliano...



Corredores transcontinentais
Um dos corredores históricos míticos é a linha do Transiberiano de Moscovo a Vladivostok, onde se tem verificado um incremento do tráfico de mercadorias nos últimos anos. Os Nórdicos utilizam este corredor nas suas trocas comerciais com o Extremo Oriente.

O NEW – The Northern East-West Freight Corridor –, corredor transcontinental, é um projecto ambicioso patrocinado pela União Internacional dos Caminhos-de-Ferro - UIC. Prevê a transferência das mercadorias transportadas por via marítima, entre a América do Norte, a Europa e o Extremo Oriente, para o meio de transporte ferroviário. A ligação da América do Norte para a Europa é inevitável que seja por via marítima. Depois, na Escandinávia, far-se-á a transferência para comboio com destino ao Extremo Oriente. Para além da Rússia, pressupõe também a travessia do Cazaquistão e da China até chegar aos portos do Mar Amarelo. A sua articulação com o Transiberiano deverá ser possível, o que, a concretizar-se, contornará a China a Norte passando pela Mongólia.

Para que se tenha uma ideia, a maioria das linhas que permitirão esta ligação já existem. As dificuldades prendem-se com os aspectos técnicos de adaptação das linhas, já referidos anteriormente. No entanto, só quando, dentro de alguns anos, todas estas articulações técnicas forem executadas é que será possível que as composições ferroviárias circulem ininterruptamente entre a Escandinávia e o Mar Amarelo. Para além dos entraves técnicos há igualmente questões políticas a ultrapassar. O traçado prevê a ligação de Vladivostok à Coreia do Norte, seguindo daí até aos portos da Coreia do Sul, o que permitirá depois a ligação ao Japão. Uma das questões políticas a ultrapassar prende-se com a ligação ferroviária entre as duas Coreias.

O transporte marítimo entre a América do Norte e o Extremo Oriente demora hoje cerca de mês e meio. No caso da ferrovia, presentemente já se fazem ligações, através do Transiberiano, entre a Finlândia e o Extremo Oriente em cerca de treze dias. Quando o NEW se concretizar, se houver nele uma aposta por parte dos grandes operadores, poderá constituir uma revolução no transporte internacional de mercadorias, ao permitir a ligação entre os grandes blocos comerciais a nível mundial: a América do Norte, a Europa Ocidental e o Extremo Oriente.

Um outro projecto que se articulará com este será o TRACECA – Transport Corridor Europe Caucasus Asia –, projecto que conta com apoios comunitários e que aposta numa combinação entre ligações ferroviárias e marítimas. Ligará a Europa Ocidental até ao Mar Negro, depois ao Mar Cáspio (através do Cáucaso) e à Ásia Central, ligando-se finalmente ao NEW. Encontrará dificuldades políticas quer na travessia do Cáucaso, quer na travessia da Ásia Central. Pretende funcionar como mais um eixo de escoamento de mercadorias, prevendo-se que permita a circulação de milhares de contentores mensalmente entre estas regiões.
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